Sempre que me lembro de Jerusalém, duas coisas vêm a minha cabeça:
1) UAU… não acredito que eu pisei naquele lugar.
2) Deveria ter reservado no mínimo dois dias para essa cidade.

E foi assim… com chave de diamante que começamos nossa viagem à Israel…
Jerusalem é tudo o que você imagina e mais um pouco e tenho certeza que agrada a todos: Cristãos, Judeus, Muçulmanos/Islâmicos, cientistas, arqueologos, historiadores, turistas e você! É impossível não se emocionar e não perceber que cada pedra daquele lugar tem mais de 2 mil anos de história para nos contar… Sem dúvida, foi umas das cidades mais incríveis que já passei…
Para o passeio nessa cidade, resolvemos contratar um guia. Nos recomendaram o Yoni Shapira (yoni-lin@(retireisso)netvision.net.il), que é um senhor judeu (8a. geracão em Jerusalem), nos guiou perfeitamente pela cidade, nos deu muitas dicas, nos contou muitas história e fez nosso passeio 100%… porém, tudo isso tem um preço… e pagamos a bagatela de US$450 o dia (socorrooooooo!). Mesmo assim, eu o continuo recomendando… especialmente para quem gosta de passeio e guia exclusivo.
Yoni, foi nos pegar em Re’ut (cidade que moravam nossos amigo) e nos levou a Jerusalem (a estrada é mesma que qualquer pessoa pegaria do aeroporto a Jerusalem). No caminho, você já começa a sentir o separatismo… É quase surreal percorrer uma estrada inteiramente murada e Israelense, onde nenhum Palestino que vive na Cisjôrdania pode usá-la), porém tudo ao seu redor é Cisjôrdania, muito estranho (parece joguinho de video game)… O muro (novinho em folha) foi colocado para inibir Palestinos de atirar nos motoristas Israelenses (imagina a cara do Kiko quando soube disso, quase pediu para voltar, risos!)… sem contar que você tem que passar por barricada(s) militar(es) durante o caminho.
Jerusalém, fica no meio da Cisjordania/Palestina, mas ela foi divida entre Israel e Cisjôrdania… e para os Judeus, Jerusalem é “capital eterna e indivisível”… e eu não duvido que os Mulçulmanos digam a mesma coisa… e os Cristãos, ficam em cima do muro, para não criar confusão e continuar com um pedacinho da Terra Santa na mão deles.
Chega de “intriguinhas” e vamos ao passeio…
Começamos vendo as incríveis vistas da cidade: primeiro paramos em um lugar (que não lembro o nome) para ver a vista abaixo, típico de Jerusalém… reparem que na setinha branca, tem uma estrada, nela tem um muro no meio, onde de um lado só passam Israelenses e do outro somente Palestinos (que vivem na Cisjôrdania).

Eu ainda não consigo entender como isso existe nos dias de hoje!!! Veja aqui uma foto que ilustra com mais clareza o que estou falando.
De lá, fomos para o Monte Scopus, ver pela primeira vez a vista da Cidade-Velha de Jerusalém… como esse monte é distante e alto, é possível ter um panorama geral da cidade… eu achei interessante!

Como um dia é muito pouco para conhecer Jerusalem e era somente o que tínhamos, focamos nossa viagem no lado histórico e católico, e confesso que queria ter ficado mais, pois foi tudo muito corrido… (dedique pelo menos 2 dias para conhecer a cidade).
Ali do ladinho do Monte Scopus, fomos para a Mesquita da Ascensão , para ver o local onde possivelmente existe uma pegada de Jesus e onde Jesus ascendeu aos céus (uns a chamam de “Capela da Ascensão” - link)… Esse prédio é administrado por Muçulmanos desde 1198, mas é considerado um local sagrado para cristão e mulçulmanos (visite durante a manhã, pois tem sempre alguém para te abrir a porta… porém o horário é irregular, se a porta estiver fechada tente tocar o sino/campainha…). Foi lá que tive meu “primeiro contato” com Jesus e foi incrivel… eu sei, eu sei… é tudo palhaçada e pega turista, mas é emocionante!
Para quem não sabe, os muçulmanos também consideram Jesus como profeta, porém Maomé é o “profeta-mor”. (Para entender melhor a importancia de Jesus na religião islamica, aconselho a leitura desse post da Barbrinha, brasileira muçulmana que mora no Egito).

Lição No. 1 para amar Israel: Abstraia e seja feliz! Tudo bem que pensando racionalmente, as coisas não aconteceram exatamente no exato local que você esta visitando… mas aconteceu ali perto, né?! O importante não é o local em si, mas a história e fé que circundam a região. Pensa nisso.
Da Mesquita da Ascensão, fomos para o Monte das Oliveiras… primeiro visitamos o observatório, para ver novamente a cidade velha de Jerusalém… Vista IMPERDÍVEL e essencial!!! (primeira foto colocada nesse post).
E essa é outra visão que temos do Monte das Oliveiras… desta vez olhando o que fomos visitar em seguida:

Observem nessa foto o muro da cidade velha (bem lá atrás) e o cemitério judeu que segundo a lenda dizem que existe mais que 150.000 tumulos nesse local. O cemitério é extremamente concorrido pois é lá que acontecerá o dia do “Dia do Juízo” (local onde irá começar a ressuição dos mortos), profetizado segundo Zacarias (14.4) há mais de 2600 anos:
“Naquele dia, estarão os seus pés sobre o Monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; o Monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade para o sul.
Agora, descendo para onde estão os prédios bonitinhos da foto acima (junto a vegetação mais intensa). Começamos a visitar o Jardim de Getsamane, local onde Jesus costumava rezar e foi preso. Foi nesse local também que Ele agonizou um dia antes de sua morte:
“Pai, se quiseres, afasta de Mim este cálice,
não se faça, contudo, a minha vontade mas a Tua” (Lc 22, 42).

Essas oliveiras tem mais de 2000 anos (uma das mais antigas do mundo e idade cientificamente comprovada)… resumindo, eu pisei no mesmo local que Ele pisou… uau… eheheh! (Desculpa o lado piegas do texto, mas não consigo resistir e passar toda a emoção que estava sentindo naquele lugar!)
Logo ao lado desse jardim com as Oliveiras, fomos visitar a Igreja de Todas as Nações.

Reparem no mosaico de Jesus na sua agonia (assumindo os pecados no mundo) e nas extraminades, tem os símbolos das 12 nações que patrocinaram a construção da Igreja (Infelizmente a foto é pequena para ver esse ultimo detalhe).

Panorama geral da Igreja e os turistas… muitos turistas
De lá… logo ali na frente, fomos para Tumba de Maria, segundo os católicos ortodoxos. Na verdade, essa é uma das tumbas de Maria existentes no mundo (sem comentários!). A idéia de que Maria subiu aos céus é assumido somente pelos Católicos Romanos.
Para deixar nosso passeio um pouco mais cultural, fomos visitar um local de escavação arqueológica, onde arqueológos, cientistas, escavadores etc estão encontrando caminhos/ruas em perfeito estado datado do seculo I… vocês não imaginam… isso pode desvendar muitas coisas e eu fiquei fascinada. O problema dessa escavação é que esta atingindo o perimetro da cidade e precisa de aprovação para continuar…

E vamos chegando ao final desse post sobre a parte de fora do muro de Jerusalém… mas antes, quero adverti-los sobre a Síndrome de Jerusalém…
Síndrome de Jerusalém é o nome dado a um grupo de fenômenos mentais envolvendo idéias obsessivas com religião, delírios ou outras experiências psicóticas desencadeadas por (ou que levam a) uma visita a Jerusalém. Não é exclusiva de uma religião, podendo afetar tanto judeus quanto cristãos.
Esta perturbação surge enquanto a pessoa está em Jerusalém e causa delírios psicológicos que tendem a se dissipar após algumas semanas. Todas as pessoas que já sofreram disto têm histórico de doenças mentais. ” (fonte: Desconstruindo a Mente).
O caso mais sério da Sindrome de Jerusalem, aconteceu em 1969 quando um Cristão Australiano colocou fogo na Mesquita Al-Aqsa, causando sérios danos. O moço acreditava que ele tinha que destruir os prédios não-cristãos da área Haram ash-Sharif (onde se situa a mesquita Al–Aqsa) para a chegada do Messias… vai vendo! (Ainda bem que nenhuma síndrome me atacou ehehehe!).